Crônicas e Declarações de Amor  

Nó na Garganta


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Segunda-feira, Janeiro 16, 2012 :::
 
Jesus Cristo.
Tá aceito...

::: posted by DIOGO SARDEIRO at 9:08 PM


Quarta-feira, Novembro 30, 2011 :::
 
Por mais que se esteja em um tsunami, sempre vai haver a última gota.

::: posted by DIOGO SARDEIRO at 12:01 AM


Quarta-feira, Novembro 16, 2011 :::
 
De me trancar no egoísmo, de só fazer o que eu quis, de só andar com os meus próximos, de só trabalhar com o que gosto e só fazer o que me agradava. Eu pensei que o mundo era meu e que as coisas aconteciam conforme a minha vontade.
Meu nome era vaidade.
Só que o mundo mostrou ter vida própria, e as pessoas nem sempre queriam o que queria. Aí meu afastava e desistia. Chamava-os de amigos descartáveis. O mundo era descartável, eu sugava dos outros tudo que fosse bom para mim.
Minha patologia era o egocentrismo. Até que eu tive um sonho. Que eu estava deitado em uma cama de hospital de fraldas e naquele dia havia faltado papel. Resultado, o único papel que havia era o dinheiro em minha carteira. Como eu já havia guardado muito dinheiro, foi a quantidade exata de toda merda que eu havia dentro de mim.


De eu viver da caridade, de só fazer o que me mandavam, de renunciar sempre. de seguir sempre o conselhos dos outros. Eu pensava que eu não tinha poder de fazer nada. E que o mundo nunca ia mudar.
Muitas pessoas precisam de ajuda, acreditem, eu não tinha hora para parar. Viviam em minha porta, aí levaram minha televisão, meu som e minha personalidade.
Meu nome era resignação.
Só que de vez em quando vinha uma vontade de chorar, uma insônia constante e uma compulsão cada vez maior por masturbação
MInha patologia era uma doença que ainda não havia sido descoberta. E por mais que quisessem me ajudar, ninguém tinha como. Aí eu chorei e chamei o mundo de injusto e não entendi porque as piores coisas acontecem com as melhores pessoas.
Então eu tive um sonho. Sonhava que me transformava nas coisas que eu tocava, se tocava num celular eu virava um celular, seu eu tocasse numa porta eu virava uma pórta, se eu tocava no fogo eu virava o fogo. De tanto eu absorver eu tinha deixado de existir.


Eu sou eu, mas eu também sou o outro.

Nas minhas palavras eu expresso minha individualidade única, Só minha. Aí eu sei que eu sou só eu. Mas quando alguém lê, eu vejo que o sentimento é do mundo e não é meu.

::: posted by DIOGO SARDEIRO at 12:37 PM


Sexta-feira, Novembro 11, 2011 :::
 
Quem se aventura a fundo em alguma coisa acaba chegando a mesma constatação. Há coisas que ultrapassam o limite de nossa vida. Esses homens ou mulheres que se adiantaram à sua época, sofreram muito. A pior de todas as dores: a dor da incompreensão.
A individualidade aparece aí, quando a gente vê que por mais que a gente fale, chore ou escreva. Ninguém nunca vai saber realmente o que a gente sente. Talves esta seja o revés da busca da identidade: a constatação da solidão.

O melhor nome que encontrei para a denominação do nossos tempos é " A Era do Extremos".

Nossos antepassados viviam em uma vida diária de incertezas e a preocupação básica era, basicamente, sobreviver. Assim caminhou a humanidade. A busca da segurança. Foi assim que viveu a geração dos nossos pais. Querendo nos poupar, nos livrar do pior.

Viver é, necessariamente, correr riscos, e isso eles iam custar a acreditar.

Por isso que filhos de católicos são viciados em pornografia, que filhos de psicológos são problemáticos, filhos de empresários são hippies. É a prova que a segurança é uma ilusão.

No vazio de nossas vidas solitárias que vamos em busca do apego. E quando maior o vazio maior é o apego. Apego aos bens mateiais, apego ao sexo, apego ao racional e apego ao místico.
No excesso que surge o consumismo, o sexismo, o racionalismo e o fanatismo. POrque tudo nos é permitido.
Aí você acaba se transformando no que você come, no que você veste, no que você bebe e com quem você se relaciona. Você não usa mais as coisas, as coisas que usam você.
A geração da busca da segurança virou geração síndrome do pânico. A geração da busca do prazer virou geração tarja preta. A geração da busca da individualidade virou geração das incertezas.

A obsessão pela liberdade acabou nos aprisionando.
Descobrimos que somos pouca coisa quando buscamos nos milhares de caracteres do dicionário alguma palavra e constatamos, desanimadamente, que para explicar o que a gente vive ainda não inventaram a palavra.




::: posted by DIOGO SARDEIRO at 1:20 PM


Quinta-feira, Novembro 10, 2011 :::
 
Havia dois homens presos em um lugar minúsculo. Por algum motivo que eles desconheciam (mesmo se conhecessem nada entenderiam).
Um era velho e sábio e o outro era novo e rebelde. Qualquer acontecimento que se sucedia o sábio tinha uma explicação simples e matemática. O jovem nunca se conformava, pois acreditava que a vida nunca se repetia. Consequentemente teimava em ir de encontro ao conselho do sábio. Se o sábio dizia para não percorrer aquele caminho que era perigoso, o jovem ia justamente por este caminho. Queria provar que podia ser diferente com ele. Resultado: sempre se dava mal.
Quando voltava, o sábio já o esperava com um sorriso irônico no rosto. Não falava uma palavra, só expressava um sorriso enigmático, que nem Monalisa de Da Vinci.
Cada vez mais o jovem se irritava. Transformou-se no Do Contra da revista da Mônica. Tomava sopa de garfo, dormia de cabeça para baixo, tomava banho de roupa de madrugada. Só que um dia veio a catástrofe. O jovenzinho teimou que o céu deveria ser verde e as árvores azuis. O sábio desta vez mostrou um sorriso preocupado. O jovem não conseguia dormir, não conseguia comer, não conseguia sorrir. Pela primeira vez na vida ele teve que engolir um não sem explicação. Até que um dia ele chorou. E chorou. E chorou. O sábio parecia não se importar, mas eu que escrevo a história sei bem que o sábio já havia vivido tudo aquilo, só que quando jovem o desejo do sábio era que as árvores fossem laranja com preto.
Você que ri quando lê isso não entende a dor que é perder a pureza infantil. Criança demora a aceitar o não.
Até que um dia o jovem desistiu da missão que lhe fora confiada chegou para o sábio e perguntou onde se pegava o ônibus de volta para o lugar de onde eles haviam saído.
Então o sábio lhe explicou que naquele momento ele estava pronto para saber que o saber liberta, mas que o saber também aprisiona. Que o querer liberta, mas o querer também aprisiona. Que o sentir liberta, mas que o sentir também aprisiona. Daí o mito de Adão e Eva. Deus sabia que eles iam sucumbir porque Deus sabe de tudo. Mas ele permitiu porque sabia que não se muda uma crença sem se ter passado pela experiência. Por mais que se fale, o eu só se muda ao viver, ao chorar ao se deprimir.
O velho sábio chorou também nesta hora. Pois tinha inveja do não-saber do jovenzinho. Foi então que o jovem parou de chorar e disse: ganhei mais uma!
Aí o sábio mandou ele tomar no cu.



::: posted by DIOGO SARDEIRO at 12:10 PM


Sexta-feira, Outubro 28, 2011 :::
 
Muitas mentes bem intencionadas já sucumbiram à moléstia que é buscar a verdade. Não digo da verdade que há dentro de cada um de nós, mas a verdade em si.
No mundo material estas verdade até que são, de certo modo, estáveis. E onde há ciência não há espaço para mitos. Em um experimento, os fatos por si só vão comprovar a veracidade das suposições. Não há dúvidas. Tudo que sobe desce, o fogo queima, em certa temperatura a água evapora.. enfim, para as leis da natureza não há espaço para o relativismo. Pouco importa se estou no Brasil, na Austrália ou na Noruega. A verdade existe e pronto.
Mas quando se busca colocar no mundo moral a busca da verdade "em si". Nada mais obscuro. Porque no mundo moral a verdade parece está dentro da gente, e se cada qual tem sua verdade, não há verdade absoluta. E cada um usa o verbete de acordo com suas conveniências. Sendo assim, se for conveniente para mim que a poligamia é a forma mais correta de se relacionar, direi que esta é a melhor forma, a mais correta. Caso contrário, usarei meu ponto de vista e direi que a monogamia é que é a forma mais correta. Seria então a verdade algo relativo? Então a verdade não existe fora de mim. Se cada um tem sua verdade, como avaliar a verdade mais verdadeira?
Acho que por isso minha repulsa inicial por DEUS como força que rege o mundo. São tantas religiões, tantas explicações, tantos códigos morais. Mas qual a verdadeira? São todas verdadeiras? Esta acepção se torna racionalmente impossível. Se DEUS é um só, não há como ele ser Alá, Buda e Jesus Cristo. Porque são eles contraditórios entre si. Será então que DEUS só existe dentro da gente? Isso é o que parece quando a pessoa opina que o DEUS dela não condena aborto.Já DEUS de outra pessoa não condena a homosexualidade.
Tão complicado que chega a doer a cabeça. Porque muitas vezes a gente erra achando que tá fazendo o certo. E como não há respostas dentro de si a gente busca fora da gente. A natureza é mesmo sábia. Então há significado de nascermos com uma boca e dois ouvidos. Que a diferença do remédio pro veneno é a dose. Que quanto maior a subida, maior também será a descida. A natureza nos mostra que a verdade está fora da gente. Se eu quero que chova e não chove, fica provado que a chuva age independente da minha vontade. Os fenômenos da natureza seriam então obra do acaso? sem inteligência e sem sentido? Acredito que quem age assim é por medo de encontrar a verdade.
Por um tempo eu achei que a gente achava a verdade através do prazer. Se algo me dá prazer então é verdade. Mas o tempo me mostrou de forma dolorida que nossos prazeres podem se transformar em nosso pior inimigo. Por isso tantas crises de identidade. Os prazeres mudam com o tempo. E você acaba sempre se negando, se contradizendo. Mudando de emprego, terminando casamento, largando faculdade. Não existe nada que lhe dê prazer o tempo todo. De tanto pular de galho em galho, o macaco acaba se cansando e caindo.

::: posted by DIOGO SARDEIRO at 6:29 PM


Quarta-feira, Outubro 26, 2011 :::
 
Nada como um dia após o outro dia


::: posted by DIOGO SARDEIRO at 7:29 PM


Segunda-feira, Outubro 17, 2011 :::
 
Quando se sai da crise é fácil apontar o que houve de errado. Mas a mesma coisa que me disseram, repetirei. Relaxe que uma hora passa. Não há bem ou mal que dure para sempre. Mas você só vai aprender isso vivendo. É preciso coragem e humildade para se colocar a prova e tudo que te amedronta. Pode ser que seus medos nunca passem. Contudo eles tendem ao nada. Existem segredos simples: respirar fundo quando se quer se desesperar, se desesperar quando se quer respirar fundo. No final das contas você vai sair mais forte.
Aos poucos se descobre que beber água é um santo remédio, a paciência leva à prosperidade, que a sabedoria está na simplicidade, que seus medos nunca se concretizarão.
Para se crescer é preciso se aproximar dos nossos opostos. Algumas coisas são verdades: você não é tão fraco como você pensa, você não é tão louco quanto você pensa, você não tem como saber tudo, como você deseja.
Mas outras coisas são mentira: ser próspero não é ter bens materiais, ter liberdade não significa irresponsabilidade, paixão não é o combustível da vida.
Quanto maior a subida, maior também a descida, a vida nunca se repete, mas certas sensações voltam de vez em quando.
Chorar demais não é depressão, não ter vontade de chorar que o é. Não adianta gritar pros céus, Deus pode estar bem ali do seu lado. Na forma de um gay ou prostituta.
Quando a gente abraça alguém, na verdade a gente se abraça também. As palavras tem muito poder. Mas você só vai saber se você se arriscar. Forças ocultas estão presente no nosso cotidiano. E acredite, quem tem um dom nunca vai conseguir ganhar dinheiro com ele. Repetindo: beber água em jejum é sempre bom.
Os mortos estão mais presentes que se pensa. Acreditar em espíritos é a esquizofrenia mais lúcida da nossa era. Outra coisa, um louco nunca sabe que está ficando louco. Ele só está no mundo errado ou em uma época errada. Os mendigos estão muito mais próximos de Deus que se pensa.
Disciplina é liberdade, compaixão é fortaleza. A vida é feita de contradições: O peso depende da leveza, o justo depende da injustiça e os santos dependem dos pecadores.
Não adianta fugir: uma hora você não vai ver graça na vida, mas logo depois vai dar o frio na barriga. Os mais jovens que são os que, teoricamente, tem mais o que perder, vivem desafiando a morte. Os mais velhos por sua vez, se borram com medo da morte. Mas eles já não viveram o suficiente? Nunca!
Foi no retorno de Saturno, às vésperas do ano das profecias que um ateu descobriu que Deus na verdade é uma mulher que adora rir. Igreja nenhuma salva ninguém, nós somos vítimas dos nossos hábitos.
A paciência é uma virtude, mas esperar de braços cruzados não vai ter levar á lugar nenhum. Quando se faz amor, as almas vão passear, sexo de verdade é carnal. Feio e sujo. E eles: ah... amigos são presente de Deus.
Se você for tímido, cedo ou tarde você vai ser exposto ao ridículo em público e, cedo ou tarde, você vai achar engraçado. Você vai ler aquele livro de auto-ajuda que você sempre criticou. Não seja escravo das suas vontades, faça o que acha certo. Mas não queira ser santo, faça uma coisa errada de vez em quando.
Se você odeia religião, uma hora você vai ver que a coisa funciona. As religiões são múltiplas e nenhuma é perfeita. Cada pessoa escolhe o que a sua natureza manda. E vai arcar um dia com as suas escolhas. Não chore por Jesus, ele vive mandando recado feliz pra gente. Uma lágrima deve ser homenageada, mas cultuar a tristeza vira obsessão.
Um espírita, por exemplo, não deve se desesperar perante a morte. Pois tenha certeza que cedo ou tarde você vai descobrir que foi ele quem escolheu morrer naquele dia, daquele jeito.
Um dia ainda vai se descobrir que as causas da doenças são emocionais, que os animais se comunicam entre si e que há vida em outros planetas. Não há porque ter medo de morrer, pois morremos todo dia quando vamos dormir
Você pode aconselhar como for, mas só se toma consciência das coisas quando a gente se dá mal.

::: posted by DIOGO SARDEIRO at 12:46 PM


Sábado, Setembro 17, 2011 :::
 
Eu só peço que acredite em mim. O pulsar da vida corre dentro de você. Do dia que se nasce até o dia de morrer. As pessoas acreditam que ao se tornar adulto esse pulsar adormece e que crescer é aprender a ouvir não. É no dia que se acredita nisso que você começa a se matar. Cada pessoa tem o seu destino, suas dores, suas alegrias. Acredite em mim, aquela felicidade não é sua, aquela raiva não é sua, aquela dor não é sua. Empatizar é altruismo. Se anular é suicídio.

::: posted by DIOGO SARDEIRO at 7:05 PM


Segunda-feira, Setembro 12, 2011 :::
 
Eu olhava para o mundo com desespero. Eu não sabia onde estava e nem sabia quem eu era. Isso era fato. Respostas todo mundo tem. Mas o que eu sentia não era mentira. Eu sentia medo. Medo que parecia irracional. Mas desde quando irracional não existe? A razão me pegou assim como pega muitos. Só que eu não quis resposta pronta. Eu precisava me convencer. E mergulhei com toda força no rio do desconhecido. O sobrenatural existe sim. E é assustador justamente porque está além do limite do entendimento humano. Eu achei por muito tempo que se a gente inventasse uma mentira pra gente mesmo, um dia ela ia virar verdade.
Só que toda ação tem uma reação. Assim como eu ia me matando aos poucos. A vontade de viver falou mais alto. E a vida deixou de ser algo sob controle. A razão te faz entender, mas ela pode muito bem te cegar para o obvio que estava se mostrando o tempo todo.
Eu não sabia onde eu estava porque ali não era eu. Ali não era minha vida.
Me entregar aos desespero foi uma corajosa tentativa de viver.
Porque a vontade de viver, sempre vai ser mais forte que a resignação de se deixar morrer.


::: posted by DIOGO SARDEIRO at 11:43 AM


Quinta-feira, Agosto 18, 2011 :::
 
No início, por instinto, eu cantava muito. Era uma forma de tocar o mundo lá fora. Um canto triste. Estufava o peito cada vez mais magro e exorcizava de dentro de mim os demõnios e a maldade do mundo. Ou seria a maldade dos homens?
Só que com o tempo eu perdi a voz. Já não queria alpiste. E dormir era uma maneira de permanecer vivo sem ser dolorido.
No início eu ainda sonhava em tocar o coração de alguém. Que uma alma bondosa se desprenda do bando e abra esta gaiola. Mas os homens complicam demais as coisas. Mesmo querendo, eles também vivem em suas gaiolas. O que eles chamam de sociedade.
Hoje de manhã eu não consegui nem me levantar da cama. O grito vinha de dentro do peito, do estômago, das víceras. Insuportável Saudades. O nosso tamanho não tem nenhuma relação com o tamanho da nossa saudade. As crianças são a prova disso. Mesmo pequena, a saudade que uma criança sente é muito maior que a de um adulto. Uma saudade que adoece, que dá febre.
E foi essa febre que me levava cada vez distante da minha gaiola. Eu me despedia feliz. Eu sabia que Deus uma dia ia me trazer de volta pra perto das nunvens.

::: posted by DIOGO SARDEIRO at 11:41 AM


Sexta-feira, Julho 01, 2011 :::
 
Eu bato a porta com força. E corro para pegar as chaves. Tranco todas a fechaduras para que o mal nunca entre na minha casa. Adianta por pouco tempo. Pego uma cadeira, depois a mesa e empurro pela casa o fogão. Empurro tudo para trás da porta. Faço minha fortaleza. Ainda sim não parece adiantar. Apelo. Arrasto um bujão, a cama e tudo mais que vejo pela casa. Em vão. Só quando eu me deito e a casa já está amontoada é que eu percebo que nada disso pode adiantar. O inimigo não vem de fora. Não há pra onde fugir. Ele vai estar sempre do lado de dentro. de dentro de minha mente.

::: posted by DIOGO SARDEIRO at 2:23 AM


Sexta-feira, Junho 24, 2011 :::
 
A inevitabilidade dos acontecimentos é uma manifestação da vida que choca, justamente, pela naturalidade que vão acontecendo os eventos que te derrubam da sacada do último andar do prédio.
E no jornal vai dar que você é um fraco suicida.
Digam o que quiserem: a vida nunca foi e nunca será justa. Ela gostando ou não de ouvir isso de mim bem alto a qualquer hora do dia. O preço que pago por esta ousadia de esfregar na cara de quem não sabe ouvir a verdade são as olheiras que desfilo por aí.
Esperar as coisas acontecerem passivamente está além da minha capacidade física. Dói o corpo e a alma a noite toda.

::: posted by DIOGO SARDEIRO at 10:15 AM


Segunda-feira, Maio 09, 2011 :::
 
Era uma voz bem baixa, um sorriso sem graça e um semblante humilde. Humilde no sentido do contrário do presunçoso. No sentido de achar que era coisa sem importância.
- Moço, você vai pro ponto de ônibus?
Eu não ia. Mas ao ver uma mulher raquítica com um bebê nos braços acompanhada de um menino de no máximo quatro anos, eu ofereci a minha ajuda. Ela vinha de uma feira e tentava levar para sua casa suas sacolas de alimentos. Sei que fiz um favor, mas na hora eu senti como se fosse minha obrigação. Os homens, na verdade, tem como única utilidade oferecer sua força bruta para as mulheres fecundarem, alimentarem e educarem as nossas crianças. Somos coadjuvantes,
Eram três sacos de feira. Aqueles sacos grosseiros, grosseiros como os traços do rosto, do cabelo e da vida daquela mãe solteira. Eu me ofereci para carregar dois dos sacos. Ela levaria apenas um saco de alimentos e o seu bebê que dormia tranquilo nos braços dela. O menino me olhava com segurança. Seguia a gente e eu ia imaginando se algum dia ele sentiria a falta de um pai. Não ajudei nem cinco minutos. Os sacos eram tão pesados que fiquei com as mãos com calos e com a respiração ofegante. Me senti envergonhado por nem força bruta poder oferecer. Só cinco minutos na vida daquela mulher miserável que carregava uma família nas costas, foram suficente para me sentir esgotado. Ela agradeceu e seguiu no ônibus.
Não sei como ela ia fazer quando fosse descarregar. Mas pela tranquilidade do bebê e do pequeno homem que a acompanhava, sabia que ela daria um jeito para conseguir. Com a vontade e uma garra que só as mulheres e, sobretudo as mães, conseguem ter.

::: posted by DIOGO SARDEIRO at 11:04 AM


Sábado, Abril 09, 2011 :::
 
Não tem sido diferente nos últimos anos. Uma chuva diferente. Palavras carinhosas que me derretem. Abraço e beijos de quem eu amo.
Como todo ano, eu penso na minha vida, gosto de ficar sozinho e aos poucos vou me acostumando a responder a idade atual.
Ao menos uma vez no ano eu penso nos principais frutos que plantei na minha vida.
Não aprendi beijar de olhos abertos. Abraçar sem espremer. Sorrir sem desejar. Sabe, a vida pode ser difícil para quem não sabe amar com moderação.
Parabêns para mim

::: posted by DIOGO SARDEIRO at 6:59 PM


Sexta-feira, Março 04, 2011 :::
 
É uma maçã amarrada em uma vara. A vara por sua vez é amarrada à minha testa. Por mais que eu ande, corra ou pule, ela sempre está um palmo na minha frente. E eu vou indo. Não consigo ver nada do meu lado. A paciência nunca foi uma virturde da pessoa que está escrevendo agora. Não consigo parar pra pensar. Não com uma maçã tão próxima dos meus dentes. Vendo por um lado, nunca enxerguei tão bem uma coisa na minha vida. Mas se olhar pelo outro, fiquei cego.A maça ocupa todos os meu sentidos. Suga toas as minhas forças. Não consigo dormir direito. E quando consigo, a maçã está no meu sonho. Mais perto ou mais longe, mas nunca, nunca na minha boca. Enquanto eu sigo em frente rumo ao infinito, os anos vão ficando para trás. Quanta coisa eu não pude enxergar por causa desta maldita maçã.

::: posted by DIOGO SARDEIRO at 9:04 AM


Segunda-feira, Janeiro 03, 2011 :::
 
Assim que eu chegava no trabalho, a minha consciência me repreendia: - Tá vendo?! devia ter estudado.
É que, naquele momento, eu era a base da pirâmide. O posto de trabalho mais baixo. Um bosta.
Pensei em todas as vezes que eu estudava de véspera, e ainda sim alternando: half time livro x half time video-game. Tá. tudo bem. No decorrer do tempo a parte relativa ao video-game era maior.
Podia me vangloriar agora, que sentia nas vísceras a opressividade do sistema capitalista, onde eu chegava antes, saía depois e sabia que ganhava metade do terço que ganhavam as pessoas que nem de colega me chamavam.
Só um pouquinho mais de estudo.
Mas naquela tarde que eu passei em frente ao meu colégio, eu lembrei dos desvios que eu tomava. Das tardes em que me sentia livre. Difícil de explicar. Algo parecido com o que sentiam os escravos fugitivos. Na sementeira, no centro ou na locadora de video-game eu revivia o quilombo dos Palmares.
E a partir daqueles momentos o prazer era o norte de minha caminhada. E deu no que deu.
Ok. O pior ainda está por vir caro leitor.
Queria voltar no tempo mais que nunca. Se soubesse que o que me esperava, gazearia mais.

::: posted by DIOGO SARDEIRO at 10:18 AM


Terça-feira, Dezembro 07, 2010 :::
 
É quando você caminha sem olhar para os lados. O relógio tem pressa e você tem que seguir o ritmo dele. As paredes não são coloridas. E se são ? Tudo que se vê é cinza. As pessoas são cinza, os carros são cinza, o céu é cinza. A vida é cinzas. Da hora que se levanta da cama até o momento de se retornar à ela, a vida é toda programada. Me ouçam crianças, na vida adulta não há espaços para surpresas ou imprevisões. Acho que por isso a vontade de voltar pra cama. Porque sonho a gente não controla. No sonho o relógio segue o meu tempo. Sentado aqui no meio dela sala fria e silenciosa, fica nítido que minha vida implora um pouco de poesia.

::: posted by DIOGO SARDEIRO at 10:08 AM




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